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2025 bateu o recorde de empresas criadas: o primeiro ano de um negócio

Portugal criou 53.030 empresas em 2025, um recorde de 20 anos, mas só 47,7% chegam aos três anos. Veja o que instalar no primeiro ano para chegar ao terceiro com um negócio.

Por António Ribeiro, Master e Business Coach · · 5 min de leitura

Em resumo

Portugal criou 53.030 empresas em 2025, um recorde de 20 anos, mas só 47,7% chegam aos três anos. Veja o que instalar no primeiro ano para chegar ao terceiro com um negócio.

Fontes: Informa D&B, INE

Em 2025 foram constituídas 53.030 novas empresas em Portugal, segundo o Barómetro da Informa D&B. É o valor mais alto dos últimos 20 anos. Entre janeiro e outubro desse ano, o Norte liderou com 14.200 novas constituições, mais 5% do que no período homólogo. São números que dizem muito sobre a vontade de empreender no país. Dizem menos sobre o que acontece a seguir.

E o que acontece a seguir está bem medido. Segundo o INE, 73,8% das empresas sobrevivem ao primeiro ano após o nascimento, e só 47,7% chegam ao fim do terceiro (dados de 2024, menos 1,2 pontos percentuais do que no ano anterior). Ou seja: de cada quatro empresas que abrem, uma fecha antes de completar o primeiro ano. Ao fim de três anos, mais de metade já desapareceu.

Nos meus anos de coaching, vejo muitas vezes empresários que tratam o primeiro ano como um período de sobrevivência heroica: trabalhar mais, aceitar tudo, resolver depois. Como engenheiro, prefiro olhar para ele como um sistema que tem de ser desenhado. O primeiro ano não é só sobre aguentar. É sobre instalar as bases que vão decidir o terceiro.

O contexto mudou em 2026

Quem abriu empresa em 2025 entrou num ciclo favorável. Quem abre agora encontra outro cenário. Segundo a Informa D&B, até julho de 2026 a constituição de empresas caiu 4,2%, para cerca de 32.300 novas sociedades, e as insolvências subiram 5%, com 1.216 novos processos. Há uma desaceleração visível desde o início do ano.

Isto não é motivo para desistir de um projeto. É motivo para o tratar com mais rigor. Num mercado que abranda, os erros do primeiro ano custam mais caro, porque há menos margem para os compensar com volume.

Os três erros que mais vejo no primeiro ano

1. Confundir faturação com dinheiro

Uma fatura emitida não é dinheiro no banco. O estudo Comportamentos de Pagamento da Informa D&B (2026) mostra que só 20,2% das empresas em Portugal pagam dentro dos prazos acordados. Um negócio novo que vende a 30 dias e recebe a 60 precisa de financiar esse intervalo. Se não o previu, a primeira crise não vem da falta de clientes, vem da falta de tesouraria.

2. Não saber quanto custa cada cliente

Muitos empresários sabem quanto faturaram no mês, mas não sabem quanto gastaram para conquistar cada cliente, nem quanto esse cliente vale ao longo do tempo. Sem estes dois números, qualquer decisão de marketing é uma aposta.

3. Ser o único sistema da empresa

No primeiro ano, o fundador faz tudo. Isso é normal. O problema é quando nada do que faz fica escrito, medido ou delegável. A empresa passa a depender de uma pessoa, e essa pessoa passa a ser o gargalo do crescimento.

Um painel mínimo para os primeiros 12 meses

Não é preciso um software caro. É preciso disciplina para olhar para os mesmos números todas as semanas. Este é o painel que costumo propor a quem está no primeiro ano:

  • Tesouraria a 13 semanas: entradas e saídas previstas, semana a semana, atualizadas todas as segundas-feiras.
  • Número de leads: quantos potenciais clientes entraram em contacto esta semana, e por que canal.
  • Taxa de conversão: de cada 10 propostas, quantas fecham.
  • Valor médio por venda: e se está a subir ou a descer.
  • Margem bruta por produto ou serviço: nem tudo o que se vende dá lucro.
  • Prazo médio de recebimento: quantos dias, na prática, os clientes demoram a pagar.

Repare que quatro destes indicadores fazem parte dos 5 Caminhos que usamos na ActionCOACH para aumentar o lucro: número de leads, taxa de conversão, número de transações por cliente, valor médio por venda e margem. Uma pequena melhoria em cada um tem um efeito multiplicado no resultado final.

Um exemplo hipotético ajuda a ver isto. Imagine uma empresa de serviços no primeiro ano com 40 leads por mês, uma conversão de 25%, uma venda média de 1.000 euros e uma margem de 30%. São 10 clientes, 10.000 euros de faturação e 3.000 euros de margem. Se cada um destes quatro indicadores melhorar 10%, a margem mensal passa para cerca de 4.400 euros. Não houve nenhum milagre, só quatro pequenas melhorias medidas.

Mestria antes de escala

Na metodologia ActionCOACH, o percurso de uma empresa passa por seis passos: Mestria, Nicho, Alavancagem, Equipa, Sinergia e Resultados. O primeiro ano pertence quase sempre ao primeiro passo, a Mestria. Mestria do tempo, do dinheiro, da entrega e do próprio negócio.

Na prática, isto significa responder com clareza a perguntas simples antes de pensar em crescer:

  • Quanto preciso de faturar por mês para pagar todos os custos, incluindo o meu salário?
  • Qual é o meu cliente ideal, e onde está?
  • Quantas horas por semana dedico a vender, e quantas a produzir?
  • Se eu parar duas semanas, o que deixa de funcionar?
  • Qual é o processo que mais se repete, e já está escrito?

Quem responde bem a estas perguntas no primeiro ano chega ao terceiro com um negócio. Quem não responde chega, se chegar, com um emprego que criou para si próprio.

Planear em ciclos de 90 dias

Um plano anual num negócio com poucos meses de vida é quase sempre ficção. Prefiro ciclos de 90 dias: três a cinco objetivos claros, cada um com um responsável, um número e uma data. No fim de cada ciclo, revê-se o que funcionou, corta-se o que não funcionou e define-se o ciclo seguinte. É este o princípio do nosso Workshop: Planeamento 90 Dias, e é uma prática que qualquer empresário pode começar sozinho.

O ponto mais importante é a accountability. Escrever objetivos é fácil. Cumpri-los exige alguém, ou algo, que obrigue a prestar contas todas as semanas. Pode ser um sócio, um conselho informal ou um coach. O que não funciona é ninguém.

A ação desta semana

Esta semana, reserve duas horas e construa a sua tesouraria a 13 semanas numa folha de cálculo simples. Liste todas as entradas que espera receber, com datas realistas (não as datas das faturas), e todas as saídas que já sabe que vai ter. Se em alguma semana o saldo ficar negativo, já sabe qual é a sua prioridade número um.

O recorde de 2025 mostra que há muita gente com coragem para começar. Os números do INE mostram que a coragem não chega. Se está no primeiro ano, ou prestes a começar, e quer pôr estes números a trabalhar a seu favor, a equipa da ActionCOACH Porto está disponível para uma conversa sem compromisso sobre o seu negócio.

Fontes

Sobre o autor

António Ribeiro, Master e Business Coach. O Business e Executive Coach com mais horas de business coaching em Portugal. Master Franchiser da ActionCOACH e da Engage and Grow. Professor na FEUP durante 38 anos, Doutor e Mestre em Engenharia Mecânica. Transforma empresas com crescimento irregular em negócios previsíveis e com margem, através de sistemas, métricas e accountability.

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