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O Norte lidera a criação de empresas: oportunidades para quem gere no Porto

Em 2024, o Norte concentrou 31,9% dos nascimentos de empresas em Portugal, segundo o INE. O que isso significa para quem gere uma PME no Porto, entre mais clientes potenciais e mais concorrência.

Por António Ribeiro, Master e Business Coach · · 4 min de leitura

Em resumo

Em 2024, o Norte concentrou 31,9% dos nascimentos de empresas em Portugal, segundo o INE. O que isso significa para quem gere uma PME no Porto, entre mais clientes potenciais e mais concorrência.

Fontes: INE, Instituto Nacional de Estatística, Informa D&B, Eurobarómetro

Segundo o INE, em 2024 o Norte concentrou 31,9% dos nascimentos de empresas em Portugal, à frente da Grande Lisboa, com 26,7%. O barómetro da Informa D&B confirma a tendência: entre janeiro e outubro de 2025, o Norte liderou com 14.200 novas constituições, mais 5% do que no mesmo período do ano anterior. Para quem gere uma empresa no Porto, isto não é apenas uma estatística regional. É uma mudança no mercado onde compra, vende e contrata.

Mais empresas significam mais clientes potenciais, mais fornecedores e mais parceiros. Significam também mais concorrência, pelos mesmos clientes e pelas mesmas pessoas. A questão estratégica é saber de que lado dessa equação a sua empresa vai ficar.

O contexto: um recorde seguido de abrandamento

A Informa D&B registou em 2025 um recorde de 20 anos na criação de empresas, com 53.030 novas empresas em Portugal. O INE, olhando para 2024, contou 246.589 nascimentos de empresas (menos 0,1% que em 2023, a primeira descida desde 2020) e cerca de 186.707 mortes. As novas empresas desse ano empregaram 292.856 pessoas.

Mas o ciclo está a mudar. Ainda segundo a Informa D&B, em 2026, até julho, a constituição de empresas caiu 4,2%, para cerca de 32.300 novas sociedades, e as insolvências subiram 5%, com 1.216 novos processos. O próprio barómetro fala numa desaceleração desde o início de 2026.

Ou seja: o Norte está a criar empresas a um ritmo forte, mas num ambiente que já não é de expansão fácil. É precisamente nestas fases que a estratégia pesa mais do que o entusiasmo.

Três oportunidades para uma PME do Porto

1. Servir as empresas que estão a nascer

Cada empresa nova precisa de contabilidade, instalações, equipamento, software, seguros, marketing, formação e fornecedores. Se o Norte concentra quase um terço dos nascimentos, há uma procura constante de serviços para empresas jovens. A oportunidade é desenhar uma oferta específica para esse cliente: simples, com preço claro e fácil de começar.

2. Ser o parceiro estável num mercado com muita rotação

O INE mostra que, em 2024, só 73,8% das empresas sobreviviam 1 ano após o nascimento e só 47,7% chegavam aos 3 anos. Num mercado com tanta entrada e saída, a fiabilidade é um argumento comercial. Uma empresa que existe há anos, cumpre prazos e tem processos consistentes pode posicionar-se como a escolha segura. Mas tem de o comunicar com provas, não com adjetivos.

3. Crescer em vez de apenas nascer

Ainda segundo o INE, em 2024 havia 7.801 sociedades de elevado crescimento em Portugal. Criar empresas é uma coisa; fazê-las crescer é outra. Quem já tem uma base de clientes, uma equipa e alguma história está numa posição melhor para crescer do que quem começou agora. A vantagem de quem já está no mercado é real, desde que seja usada.

Os riscos de um mercado mais concorrido

Mais empresas também trazem pressão. Vejo muitas vezes empresários que reagem à concorrência baixando preços, e isso raramente acaba bem. Três riscos merecem atenção:

  • Guerra de preços: novas empresas tendem a entrar com preços agressivos. Responder da mesma forma corrói a margem, que é um dos 5 Caminhos para aumentar o lucro.
  • Disputa por talento: segundo o Eurobarómetro de 2026, 35% das PME em Portugal dizem ter muita dificuldade em recrutar pessoas com as competências necessárias. Mais empresas na mesma região significam mais concorrência pelas mesmas pessoas.
  • Clientes que pagam tarde: segundo o estudo de Comportamentos de Pagamento da Informa D&B (2026), só 20,2% das empresas em Portugal pagam dentro dos prazos acordados. Crescer com clientes que não pagam é crescer em risco.

Como transformar o dinamismo regional em estratégia

Na metodologia ActionCOACH, o segundo dos 6 passos do sucesso empresarial é o Nicho. Num mercado com muitas empresas novas, ser generalista é ficar invisível. Proponho um exercício em cinco passos:

  • Passo 1: liste os seus 20 melhores clientes dos últimos 12 meses, por margem e não por faturação.
  • Passo 2: identifique o que têm em comum: setor, dimensão, localização, tipo de problema.
  • Passo 3: estime quantas empresas com esse perfil existem no Norte e quantas estão a nascer. As estatísticas regionais do INE são um bom ponto de partida.
  • Passo 4: defina uma oferta e uma mensagem só para esse perfil.
  • Passo 5: escolha um indicador para acompanhar todas as semanas, por exemplo o número de leads desse perfil ou a taxa de conversão das propostas.

Imagine uma empresa hipotética de serviços no Porto, com 8 pessoas, que descobre que 12 dos seus 20 melhores clientes são empresas com menos de três anos. A decisão estratégica torna-se óbvia: desenhar um pacote para empresas jovens e ir buscá-las onde estão.

A ação desta semana

Esta semana, faça os dois primeiros passos: tire do seu sistema de faturação a lista dos 20 clientes com maior margem nos últimos 12 meses e escreva, ao lado de cada um, três características comuns. Em menos de duas horas terá uma primeira fotografia do seu nicho real, que muitas vezes é diferente daquele que julgava ter.

Se quiser transformar esse retrato numa estratégia para os próximos meses, a equipa da ActionCOACH Porto pode ajudar, por exemplo no Workshop: Clareza e Alinhamento ou em Coaching 1:1. Estamos no Porto e conhecemos o tecido empresarial da região; uma primeira conversa é o ponto de partida.

Fontes

Sobre o autor

António Ribeiro, Master e Business Coach. O Business e Executive Coach com mais horas de business coaching em Portugal. Master Franchiser da ActionCOACH e da Engage and Grow. Professor na FEUP durante 38 anos, Doutor e Mestre em Engenharia Mecânica. Transforma empresas com crescimento irregular em negócios previsíveis e com margem, através de sistemas, métricas e accountability.

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