ActionCOACH Porto

Salário mínimo a 920 euros: rever preços e margens sem perder clientes

O salário mínimo passou de 870 euros em 2025 para 920 euros em 2026. Como calcular o impacto real nos custos, rever preços com método e proteger a margem sem afastar os bons clientes.

Por António Ribeiro, Master e Business Coach · · 5 min de leitura

Em resumo

O salário mínimo passou de 870 euros em 2025 para 920 euros em 2026. Como calcular o impacto real nos custos, rever preços com método e proteger a margem sem afastar os bons clientes.

Fontes: PORDATA, INE, Instituto Nacional de Estatística, Informa D&B

Segundo a PORDATA, o salário mínimo em Portugal era de 870 euros em 2025 e passou para 920 euros em 2026. São mais 50 euros por mês, por pessoa, a que se somam os encargos sociais. Em 2025, a inflação foi de 2,3%, também segundo a PORDATA. Se a sua empresa tem uma parte relevante da equipa perto do salário mínimo e não mexeu nos preços, a sua margem já mudou, quer tenha feito as contas quer não.

Nos meus anos de coaching, vejo muitas vezes empresários que adiam a revisão de preços por medo de perder clientes. O resultado costuma ser o pior dos dois mundos: os custos sobem, os preços ficam iguais e a empresa trabalha mais para ganhar menos. Rever preços não é um ato de coragem. É um cálculo.

Primeiro, medir o impacto real

Antes de mexer em preços, é preciso saber quanto custou realmente o aumento. O exercício é simples e não deve demorar mais de uma tarde:

  • Liste as pessoas da equipa cujo salário foi afetado pela atualização, direta ou indiretamente (quem estava ligeiramente acima do mínimo também costuma ser ajustado).
  • Calcule o aumento mensal total, incluindo encargos, e multiplique pelo número de pagamentos anuais.
  • Some outros custos que subiram no mesmo período: fornecedores, energia, rendas.
  • Divida o total pela faturação anual prevista. Esse número é a percentagem da faturação que a sua margem perdeu se nada mudar.

Imagine uma empresa hipotética de restauração com 10 pessoas, todas perto do salário mínimo, que fatura 600 mil euros por ano. Um aumento de 50 euros brutos por pessoa, antes de encargos, são 500 euros por mês. Com encargos e o número de pagamentos anuais, o impacto anual passa facilmente de 7 mil euros. Se a margem líquida dessa empresa for de 5%, ou seja 30 mil euros, o aumento come mais de um quarto do lucro. É por isso que este cálculo não pode ser feito a olho.

A margem é um dos 5 Caminhos, não um resíduo

Na ActionCOACH trabalhamos com os 5 Caminhos para aumentar o lucro: número de leads, taxa de conversão, número de transações por cliente, valor médio por venda e margem. Muitos empresários tratam a margem como aquilo que sobra no fim do ano. É ao contrário: a margem é uma decisão, tomada todos os dias através dos preços, do mix de produtos e do controlo de custos.

O contexto económico também conta. Segundo a PORDATA, em 2024 a produtividade do trabalho em Portugal foi de 47,7 mil euros por trabalhador, a 19.ª mais baixa da UE. Quando o custo do trabalho sobe mais depressa do que a produtividade, a margem só se protege de duas formas: preço ou eficiência. Na maior parte das PME, a resposta certa é uma combinação das duas.

Como rever preços sem perder os clientes certos

Segmente antes de aumentar

Um aumento igual para todos é a forma mais fácil e menos inteligente. Separe os clientes por margem e por fidelidade. Os clientes que compram com regularidade e valorizam o serviço aceitam melhor um aumento justificado. Os clientes que só compram pelo preço e exigem descontos são, muitas vezes, os que menos contribuem para o lucro.

Reveja também o que vende, não só o preço

Aumentar o valor médio por venda nem sempre exige subir a tabela. Pode passar por pacotes, por serviços complementares ou por eliminar produtos que dão trabalho e pouca margem. Vale a pena testar: retirar as referências menos rentáveis pode libertar mais margem do que um aumento generalizado.

Comunique com antecedência e com razões

Os clientes reagem pior à surpresa do que ao aumento. Uma comunicação clara, com antecedência e com uma explicação simples (custos de pessoal, inflação, manutenção da qualidade) reduz a resistência. Não precisa de pedir desculpa; precisa de ser transparente.

Proteja a tesouraria ao mesmo tempo

Segundo o estudo de Comportamentos de Pagamento da Informa D&B (2026), só 20,2% das empresas em Portugal pagam dentro dos prazos acordados, e no alojamento e restauração o atraso médio é de 30 dias, com apenas 11% de cumpridoras. Rever preços sem rever prazos de pagamento é resolver metade do problema. Aproveite a revisão de condições para encurtar prazos ou pedir adiantamentos aos clientes novos.

Eficiência: a outra metade da resposta

Segundo o INE, a taxa de desemprego média foi de 6,0% em 2025, a mais baixa desde 2011. Num mercado de trabalho apertado, a solução não passa por pagar menos, mas por obter mais valor de cada hora trabalhada. Três perguntas práticas:

  • Que tarefas repetitivas a equipa faz todas as semanas e que poderiam ser simplificadas ou automatizadas?
  • Onde há horas perdidas em retrabalho, esperas ou falta de informação?
  • Que indicador de produtividade (faturação por pessoa, peças por hora, clientes atendidos por turno) acompanha hoje? Se nenhum, comece por um.

A ação desta semana

Esta semana, faça o cálculo da primeira secção: quanto custou à sua empresa, em euros por ano, a passagem do salário mínimo de 870 para 920 euros, incluindo encargos e os ajustes que fez a quem estava perto do mínimo. Depois, divida esse valor pela sua margem líquida do último ano. Se o resultado o surpreender, tem a sua prioridade para os próximos 90 dias.

Se quiser rever preços, margens e tesouraria com método, a equipa da ActionCOACH Porto pode ajudar, por exemplo em Coaching 1:1 ou no Workshop: Planeamento 90 Dias. Uma primeira conversa serve para olhar para os seus números e decidir por onde começar.

Fontes

Sobre o autor

António Ribeiro, Master e Business Coach. O Business e Executive Coach com mais horas de business coaching em Portugal. Master Franchiser da ActionCOACH e da Engage and Grow. Professor na FEUP durante 38 anos, Doutor e Mestre em Engenharia Mecânica. Transforma empresas com crescimento irregular em negócios previsíveis e com margem, através de sistemas, métricas e accountability.

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